Na primeira vez em que ouvi falar desse livro,
já fiquei com uma vontade enorme de lê-lo. Procurando saber mais sobre ele, só
encontrei criticas bem positivas ao seu respeito e minha vontade de mergulhar
em suas páginas só cresceu, e, junto com ela, minhas expectativas também.
Apesar de eu não ter gostado tanto quanto eu achei que fosse gostar, minhas
expectativas não foram nem um pouco frustradas.
A história é sobre um menino (Juan) que, após a
separação de seus pais, vai para casa de seu tio Tito passar as férias. A casa
é praticamente uma gigantesca biblioteca, onde todas as paredes são cobertas de
estantes abarrotadas de livro. Dentre todos esses exemplares, há um que se
recusa a ser lido por qualquer pessoa: O Livro Selvagem. Juan e sua amiga
Catalina partem em busca desse livro curioso para que possam descobrir que
segredos ele guarda.
Como a sinopse deixa claro, o cenário principal
do livro é uma biblioteca. O que é fantástico, pois durante a jornada de Juan
são citadas diversas obras da literatura de todo o mundo, dentre elas estão: “A
Metamorfose” de Franz
Kafka, “Moby Dick” de Herman
Melville e “A Divina Comédia” de Dante
Alighieri. Pra quem gosta de literatura é um prato cheio.
A narrativa, feita em
primeira pessoa, é simples e nos conquista com frases bem construídas e bem
colocadas no decorrer da história. A escrita do autor é um pouco lenta, mas não
é nada que deixe a leitura chata ou cansativa.
Os personagens são apaixonantes! Eles te
conquistam com suas personalidades únicas e cativantes. Foi muito fácil me
identificar com Juan, o protagonista da história. Catarina é a garota dos sonhos
de qualquer um. Carmen é uma criança esperta e muito divertida. E, por fim,
temos o tio Tito, um personagem muito importante na história e que se tornou
fácil o meu favorito do livro. Ele é uma pessoa um pouco estranha, mas que tem
uma forma de ver o mundo incrível. Algumas das melhores partes do livro são as
conversas dele com o sobrinho sobre o conhecimento e a sabedoria humana. É um
verdadeiro gênio quando os assuntos são: livros, literatura e culinária
literária (essa última você só vai entender se ler o livro). Os coadjuvantes
não ficam atrás, eles tem uma participação chave no enredo e só fazem com que o
livro fique ainda melhor.
Entretanto, como nada é perfeito, teve um ponto
na história do livro que me incomodou um pouco: o final. Eu achei a conclusão
da história um pouco previsível e o grande mistério que ela apresenta foi fácil
de desvendar logo na metade do enredo. Apesar desse final não ser
surpreendente, é uma boa conclusão para a história.
Então, de um modo geral, é um livro muito bom
que merece ser lido e apreciado por todos aqueles que conhecem o prazer da
leitura e também pra aqueles que querem passar a conhecer.
Algumas das minhas frases preferidas do livro:
“A
diferença entre um arrogante e um sábio é que o arrogante só precisa saber o
que já sabe, enquanto o sábio busca o que ainda não conhece.” (página 34)
“A
verdade que normal, normal mesmo, não sou, mas quem gostaria de ser comum igual
a um trapo? As pessoas que valem a pena conhecer sempre são diferentes por
algum motivo.” (página 39)
“Um
livro é o melhor meio de transporte: leva você a lugares distantes , não polui,
é pontual, barato e não causa enjoo.” (página 75)
“Não
há nada pior do que alguém que não conhece sua própria ignorância” (página 110)
“Às
vezes, uma pessoa agarra algo insignificante à primeira vista, mas que acaba
servindo para alcançar uma coisa maior. O bom pescador consegue peixes sem
graça que o ajudam a obter outro que vale a pena. Com as pessoas, acontece algo
parecido: é preciso ter bastante conhecimento para atingir aquilo que importa
de verdade” (página 145)
“Um
livro é como um lago: traz uma história na superfície e outra nas profundezas.”
(página 158)