sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Um Livro para Quem Gosta de Livros: "O Livro Selvagem" de Juan Villoro


         Na primeira vez em que ouvi falar desse livro, já fiquei com uma vontade enorme de lê-lo. Procurando saber mais sobre ele, só encontrei criticas bem positivas ao seu respeito e minha vontade de mergulhar em suas páginas só cresceu, e, junto com ela, minhas expectativas também. Apesar de eu não ter gostado tanto quanto eu achei que fosse gostar, minhas expectativas não foram nem um pouco frustradas.
A história é sobre um menino (Juan) que, após a separação de seus pais, vai para casa de seu tio Tito passar as férias. A casa é praticamente uma gigantesca biblioteca, onde todas as paredes são cobertas de estantes abarrotadas de livro. Dentre todos esses exemplares, há um que se recusa a ser lido por qualquer pessoa: O Livro Selvagem. Juan e sua amiga Catalina partem em busca desse livro curioso para que possam descobrir que segredos ele guarda.
Como a sinopse deixa claro, o cenário principal do livro é uma biblioteca. O que é fantástico, pois durante a jornada de Juan são citadas diversas obras da literatura de todo o mundo, dentre elas estão: “A Metamorfose” de Franz Kafka, “Moby Dick” de Herman Melville e “A Divina Comédia” de Dante Alighieri. Pra quem gosta de literatura é um prato cheio.
A narrativa, feita em primeira pessoa, é simples e nos conquista com frases bem construídas e bem colocadas no decorrer da história. A escrita do autor é um pouco lenta, mas não é nada que deixe a leitura chata ou cansativa.
Os personagens são apaixonantes! Eles te conquistam com suas personalidades únicas e cativantes. Foi muito fácil me identificar com Juan, o protagonista da história. Catarina é a garota dos sonhos de qualquer um. Carmen é uma criança esperta e muito divertida. E, por fim, temos o tio Tito, um personagem muito importante na história e que se tornou fácil o meu favorito do livro. Ele é uma pessoa um pouco estranha, mas que tem uma forma de ver o mundo incrível. Algumas das melhores partes do livro são as conversas dele com o sobrinho sobre o conhecimento e a sabedoria humana. É um verdadeiro gênio quando os assuntos são: livros, literatura e culinária literária (essa última você só vai entender se ler o livro). Os coadjuvantes não ficam atrás, eles tem uma participação chave no enredo e só fazem com que o livro fique ainda melhor.
Entretanto, como nada é perfeito, teve um ponto na história do livro que me incomodou um pouco: o final. Eu achei a conclusão da história um pouco previsível e o grande mistério que ela apresenta foi fácil de desvendar logo na metade do enredo. Apesar desse final não ser surpreendente, é uma boa conclusão para a história.
Então, de um modo geral, é um livro muito bom que merece ser lido e apreciado por todos aqueles que conhecem o prazer da leitura e também pra aqueles que querem passar a conhecer. 

Algumas das minhas frases preferidas do livro:

“A diferença entre um arrogante e um sábio é que o arrogante só precisa saber o que já sabe, enquanto o sábio busca o que ainda não conhece.” (página 34)

“A verdade que normal, normal mesmo, não sou, mas quem gostaria de ser comum igual a um trapo? As pessoas que valem a pena conhecer sempre são diferentes por algum motivo.” (página 39)

“Um livro é o melhor meio de transporte: leva você a lugares distantes , não polui, é pontual, barato e não causa enjoo.” (página 75)

“Não há nada pior do que alguém que não conhece sua própria ignorância” (página 110)

“Às vezes, uma pessoa agarra algo insignificante à primeira vista, mas que acaba servindo para alcançar uma coisa maior. O bom pescador consegue peixes sem graça que o ajudam a obter outro que vale a pena. Com as pessoas, acontece algo parecido: é preciso ter bastante conhecimento para atingir aquilo que importa de verdade” (página 145)

“Um livro é como um lago: traz uma história na superfície e outra nas profundezas.” (página 158)

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